FAZENDO-NOS COMO MENINOS
Texto Chave: (Mateus 18.1–4)
OBJETIVOS:
1°. Levar à igreja local à maior maturidade no entendimento e disposição para o serviço santo, na seara do Senhor, na propagação do Evangelho da salvação e do reino de nosso DEUS.
2°. Evidenciar aos que não possuem certeza de salvação a necessidade de arrependimento de um encontro pessoal com Jesus Cristo, Salvador e Senhor.
Introdução
CONTEXTO DA SITUAÇÃO
O texto que descreve o episódio é apresentado nos três (03) evangelhos sinópticos, em informações complementares. A Bíblia não se contradiz, jamais! Mas se complementa, sempre! É necessário, portanto, observarmos a ordem dos fatos, a fim de termos o entendimento correto.
a) Entendendo a complementação.
Em Lucas 9.46.47 – Observamos que o SENHOR JESUS sabia o que se passava no coração deles. Outra vez o SENHOR JESUS, é apresentado como DEUS, através da demonstração da Sua Onisciência.
Em Marcos 9.33-34 – O SENHOR JESUS então os questiona, não porque não sabia como já vimos evidenciado no texto de Lucas, mas porque queria lhes ensinar uma lição e preparava-lhes o terreno do coração. Eles, então, se calam envergonhados.
Finalmente, em Mateus 18.1 – Vemos que os discípulos, numa tentativa de demonstrar humildade, se achegam “aos pés de JESUS”. Sabemos de antemão que o SALVADOR sabia que esta atitude não era sincera, mas hipócrita, já que lhes ardia no coração o ciúme. Eles então perguntam a CRISTO: “Quem é o maior no reino dos céus?”
Obs. Eles entendiam que este reino dos céus se efetuaria na terra, ainda na primeira vinda do MESSIAS (voltaremos a falar disso).
b) Quais os motivos que levaram a discussão? Analisemos três ocorrências anteriores ao diálogo cós discípulos com o Salvador:
i. A Transfiguração de CRISTO. Embora os outros não tenham visto o que ocorreu (a transfiguração – 17.9), eles viram que quem acompanhou ao Senhor Jesus: Pedro, Tiago e João. Podemos pensar que os demais tenham se sentido excluídos.
ii. O Senhor Jesus pagou o tributo de Pedro, e é provável que tenha sido visto pelos outros como um sinal de preferência. (Mat. 17.24 – 27);
iii. O Senhor Jesus Cristo novamente lhes falou de Sua morte e ressurreição (Mat 17.22-23; Mr. 9:31-32; Lc. 9.44-45). Como ainda não entediam esta palavra, o foco deles passou imediatamente a ser o da preferência de CRISTO quando na implantação do seu reino.
O que ocorria? Eles estavam ardendo em ciúmes uns dos outros, mais interessados em pensar nas coisas terrenas que nas lições espirituais que o SALVADOR lhes mostrava amorosamente. Não seríamos nós muitas vezes assim? Quantas salvos, mesmo membros de igrejas locais há muito já perderam o foco das lições espirituais e embrenharam-se em disputas de poder e destaque pessoal, quando deveriam estarem engajados em exercitar a fé?
Eles não entendiam, eram imaturos, carnais, invejosos e seculares. (Mr. 9.32; Luc. 9.45). Além de tudo isso, eles tinham receio de interrogar o Senhor Jesus Cristo.
No grego, tanto em Marcos como em Lucas, a palavra usada é φοβεω (fobew), raiz do qual deriva a nossa palavra fobia, no português: medo irracional, sem razão de ser, desnecessário!
LIÇÕES:
i. Não devemos ter receio (não há qualquer razão para isso) de interrogarmos ao nosso Senhor Jesus Cristo (em oração), e em Sua Palavra (interesse e estudo em contrição de espírito) e pela ação de Seu Espírito Santo (a nos iluminar, nos consagrado, no orientando no entendimento correto da Bíblia). ELE nos ensinará as mais preciosas lições, e nos esclarecerá as mais preciosas verdades espirituais.
ii. Mas falhamos quando perdemos o foco e passamos às discussões, às disputas pelo poder e pelo destaque pessoal, que só prejudicam a comunhão dos salvos e o testemunho da igreja local aos perdidos.
Quero enfatizar claramente, numa repetição didática: Quando isso ocorre, o alvo passa a ser quem tem mais força e poder e, ao invés de usufruirmos dos ensinos maravilhosos do Salvador, a igreja local se torna carnal e entulhada de pecaminosa inveja, rancor e imaturidade. Esta disputa jaz sobre a frivolidade, sob o efêmero que nada significa, nem traz proveito espiritual ao salvo e nem é benéfica para o testemunho do Evangelho Bíblico de Salvação para os perdidos.
1°) Verificando que o entendimento errado leva as atitudes, e disputas, carnais pecaminosas.
“Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus?” - Mat. 18.1
A pergunta traduz um entendimento errôneo, que ainda perduraria neles mesmo após a ressurreição de CRISTO (ver Atos 1.6).
a) Os discípulos possuíam a visão judaica, que o reino dos céus seria político e imediato com a ruptura das rédeas que Roma impunha a Israel e que, ainda neste momento histórico do surgimento e revelação do MESSIAS, Sua primeira vinda, ocorreria o cumprimento profético da promessa da restauração do reino davídico.
b) Os discípulos entendiam que o reino dos céus estava imediatamente atrelado à mensagem da ressurreição que CRISTO pregava, que eles ainda não compreendiam e receavam perguntar por esclarecimentos, como já vimos anteriormente.
c) Este entendimento errôneo gerou dois tipo de atitudes pecaminosas. Vamos entendê-las:
i. Ao invés de trabalhar em consenso, com deveriam fazer, prestando assistência mútua, assegurando cada um a seu irmão honra como se a si mesmo o fizessem, eles se esforçavam com tremenda e imatura ambição, na tentativa de excederem um ao outro. O alvo não era servir o Mestre e nem serviço conjunto em comunhão espiritual (amar a DEUS acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo). O alvo era proeminência pessoal e destaque próprio, uma exaltação individualista e egoísta, totalmente descabida.
ii. Deixando assim o alvo santo e espiritual, a salutar ansiedade para guerrear pelo Senhor para a obra a qual haviam sido chamados desapareceu, e tais quais soldados e mordomos infiéis, exigiam de antemão honra, recompensa e repouso como se fossem soldados que já tivessem cumprido suas obrigações.
RESULTADO: Tudo isso aflorava em carnalidade, ambição pecaminosa, egoísmo e orgulho. Poderíamos traduzir esta atitude, em contextualização dos dias atuais, em uma extremada busca por auto-estima na liderança, que todos buscavam saciar. Que tremendo pecado no passado! Que tremendo pecado ainda hoje!
● LIÇÕES:
i. A guerra pelo poder e pelo destaque nasce em nossas más compreensões sobre o Evangelho salvífico de nosso Senhor Jesus Cristo e a respeito de nossos papéis na Seara do SENHOR, sejam individuais (salvos, servos, soldados) ou coletivos (serviço na igreja local, em missões).
ii. Estas disputas são pecaminosas, indevidas, desnecessárias. Tais comportamentos individualistas e carregados de rancor só merecem a repreensão de DEUS.
iii. É maravilhoso notar, no entanto, destacar a paciência, longanimidade, de CRISTO, que nos mostra como nosso DEUS tem interesse em nosso amadurecimento espiritual, a fim de que O sirvamos mais e melhor!
iv. Todo nosso esforço deve apontar para a Glória do Salvador. Nossa comunhão deve apontar para a glória d’ELE, nosso serviço deve apontar para glória d’ELE, nosso interesse deve ser a Glória d’ELE, nossa vida, nossa morte deve apontar par a Glória d’ELE. cf. (Sal 115.11; Ef 1.6; I Ped 5.11, II Ped 3.18 e I Cor 10.31)
2°) A excelência da insignificância humana e a grandeza da Graça e Misericórdia de DEUS em usa-la para Glória de CRISTO e salvação das almas perdidas
▪︎ “E Jesus, chamando um menino, o pós no meio deles, E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.” Mateus 18.2-4)
Os discípulos estavam em Cafarnaum, muito provavelmente na casa de André e Simão. (Marcos 9.33). A Bíblia não nos dá detalhes, mas me permitam que estejamos imaginando a cena (Faço com intuito de entendermos o impacto da atitude amorosa do Salvador e não com propósito de revelações adicionais espúrias, quero deixar isso bem claro!):
O Senhor Jesus Cristo olha ao Seu redor. Seria possível que por alguns instantes os discípulos se alvoroçaram crendo que ELE apontaria o Seu preferido, destacando-o do grupo? Quase conseguimos ver que por alguns segundos eles se dispõem à frente, num tremular dos músculos do corpo, em um momento de êxtase e ansiedade carnal e egoísta? Talvez um empurrão sutil de ombros? Então, o que faz o Salvador? Chama um menino que estava nalgum canto, imperceptível, passando desapercebido, incógnito de todos eles, desprezado e que nem participou da discussão, não fazia parte dela e nem possuía significância em nenhum dos fatos anteriores que motivaram os ciúmes deles entre si! Que grande sabedoria do Salvador! Que lição em uma só atitude! Quão maravilhoso amor de DEUS que usa os servos mais desprezíveis aos olhos humanos, mas que não estão despercebidos dos olhos cuidadosos e atentos de DEUS. O Senhor Jesus Cristo tem grande prazer em aplicar lições através de seus servos mais humildes. Como devem ter ficado chocados, os orgulhosos discípulos!
LIÇÃO:
Aqueles que desejam obter grandeza acima de seus irmãos estão muito longe de receber galardões, mesmo a atenção do Salvador, e nem sequer servem para ocupar o menor dos cantos. Somente e humildade pode exaltar o servo diante do Seu SENHOR. cf. (Tiago 4.10, I Pedro 5.6)
Sabemos que nas crianças há muitos defeitos, mas não é nesse sentido que o Salvador vai aplicar a grandiosa lição. Devemos compreender em que sentido devemos ser como um humilde menino.
ENTENDAMOS MAIS PROFUNDAMENTE A LIÇÃO:
a. Não devemos ser como crianças na imaturidade espiritual!
O Senhor não está querendo que sejamos imaturos como as crianças. A imaturidade é sempre um defeito e nunca um ponto a ser enfatizado. – I Cor. 3.1, Gálatas 4.3, Efésios 4.14
b. Devemos ser crianças na malícia!
A ausência de sentimentos amargos e de intenções perversas, arrogantes, egoístas e de superioridade. – I Cor 14.20, Ef. 4.13, 24.
c. Não devemos insistentemente disputar postos mais altos!
Os salvos fiéis devem repudiar completamente a ensandecida busca por auto-estima, pois esse não é nosso alvo e nunca deve ser! Assim banindo de suas mentes os anseios ávidos por destaque pessoal, todas as ambições devem ser reduzidas a um intenso interesse de ajudar-nos mutuamente. Como deve ser contrária a esta atitude dos servos fiéis daquela dos discípulos! Como deve ser constante o nosso alvo de Honrar a CRISTO em nossa comunhão na igreja local e no amor pela salvação das almas perdidas! cf. (Rm 12.10, Fil 2.3. )
▪︎ Spurgeon disse certa vez que os servos sempre estão no melhor lugar que Seu Mestre os pôs e devem estar sempre grato por isso, pois de outra maneira não suportaria as aflições para as quais ainda não estão preparados.
d. A ênfase não está no pecado, mas na humildade!
Crianças já nascem pecadoras, mas os infantes não estão familiarizados com graus de honra, se distinguem sela simplicidade e tem prazer em com singeleza receber e conceder afagos.
Exemplo: Como o pequeno Bruno ficou feliz, agradecido e emocionado em receber de presente em nossa Escolinha Bíblica uma flautinha de brinquedo! Como ele sorriu como nunca o tínhamos visto fazer antes prometendo inclusive que se esforçaria para cuidar do presente. Não se importou em que o presente fosse tão simples e desprovido de valor!
Ah, como são arrogantes os salvos que todos os dias recebem da Graça e da Misericórdia de DEUS e nunca estão dispostos a agradecerem, servindo em alegria e com todas as forças ao SALVADOR. Estão sempre enciumados, sempre fazendo do serviço eclesiástico uma disputa pessoal por poder e destaque, sempre tornando a comunhão um exercício de carnalidade e um fardo pesado para todos. Recusam-se o perdão mútuo, o reconhecimento de suas próprias falhas e defeitos e um arrependimento sincero. E assim fazendo, não se propõe a conceder ao próximo a Graça e a Misericórdia que afirmam terem recebido do amoroso SALVADOR. cf. (Gál. 5.22, Col. 3.13)
e. E a grandiosa lição: Os pecadores (todos somos) devem ser meninos na Conversão!
Confiar total e exclusivamente em CRISTO e não em si mesmo ou em seu próprio poder. Confiar plenamente, descansar n’ELE é prerrogativa para adentrar o reino. Esta conversão não leva em conta a grandeza das coisas, das posses ou da nossa própria suposta obediência, mas a grandeza da entrega de CRISTO e Seu Sangue derramado pelo pecador arrependido. É o nascer de novo, um milagre que somente DEUS pode realizar. E ninguém poderá adentrar o reino senão nascer de novo! cf. (Jo 3.3–8).
3°) CONCLUSÃO
É interessante que façamos algumas perguntas, antes de encerrarmos, apenas como ilustração de como DEUS se compraz de usar os servos insignificantes.
a. Quem foi o maior dos apóstolos?
b. Quem afirmou ser o maior dos pecadores ? (I Tim 1.15)
c. Quem não estava com o grupo, e nem sequer se achava digno de ser chamado apóstolo? (I Cor. 15.9)
d. Quem se comprazia em afirmar (o fez várias vezes) que era apóstolo pela vontade de DEUS? (I Cor. 1.1; II Cor. 1.1; Gal. 1.1; Efésios 1.1, Col 1.1, I Tim 1.1, II Tim 1.1)
e. Quem foi que mais escreveu Epístolas no Novo Testamento?
f. Quem é considerado o maior dos teólogos?
g. Quem foi o maior fundador de igrejas locais neo testamentárias?
h. Quem recebeu as maiores medidas da graça, os maiores dons e habilidades? Quem mais corroborou para pregação do Evangelho e salvação de almas e plantação de igrejas locais? Quem trabalhou muito mais do que todos eles? cf. (I Cor 15.10, II Cor. 11.22 a 12.21).
▪︎ A graça, meus amados irmãos! Ah, sempre a graça de DEUS!
Foi Paulo de Tarso, o apóstolo que se considerava a si mesmo como a um abortivo! (I Cor. 15.8)
▪︎ Oh, DEUS! Nos dê mercê, derrama Tua Misericórdia e Graça sobre nós, a fim de que sejamos imitadores dele, como ele o foi de CRISTO (I Cor. 4.16; I Cor., 11.31; Fil. 3.17)
Permitam-me, queridos, um apelo final:
É você uma pessoa convertida? Já foi levado ao calvário? Já te arrependestes do que és (pecador por natureza) e do que fazes (pecador por ações). Já nasceste de novo?
Então, clame humildemente por CRISTO e ELE te responderá. Deixando todo orgulho pessoal (religião, justiça própria, arrogância humana, etc) confia única e exclusivamente em CRISTO como uma criança e deixe-se tomar nos braços amorosos de DEUS, nosso Pai. Se você confiar em DEUS, mesmo se sentindo o menor de todos, insignificante, o mais pecador, o mais indigno, e ELE te usará para honra e glória do Salvador.
▪︎ Oh, quão maravilhosa Graça e Misericórdia do Bendito SALVADOR!
Contempla a CRISTO no calvário! Foi no teu lugar que ELE pagou o preço, morreu e ressuscitou! Ele está vivo e oferece-te um dom, a vida eterna. (Rm. 6.26)
Arrepende-te e crê tão somente! E renda-se a Ele como Único e Suficiente Salvador e Senhor da tua vida!
E assim que ELE te use como vaso de honra, instrumento de louvor no Seu reino.
DEUS nos abençoe a todos, em nome de Jesus Cristo, amém!